O apresentador sul-coreano Jeon Hyun-moo se viu no centro de uma polêmica após a exibição de sua viagem a Almaty, no Cazaquistão, no programa de variedades da MBC “I Live Alone” (Na Honja Sanda). Os episódios, veiculados em 14 e 21 de agosto de 2026, apresentaram a viagem como “improvisada”, com a compra de passagem, reserva de hospedagem e aluguel de carro decididos na hora. Depois da transmissão, surgiram questionamentos sobre a veracidade desse enredo e, sobretudo, sobre a regularidade do uso de veículo por visitante estrangeiro no país.
A controvérsia ganhou corpo quando espectadores apontaram que, no Cazaquistão, não basta portar apenas a Permissão Internacional para Dirigir (PID) e o passaporte para conduzir legalmente. Segundo orientações publicadas pela Embaixada da República da Coreia no Cazaquistão em fevereiro de 2024, visitantes de curto prazo — até 60 dias — podem dirigir com a habilitação coreana, desde que portem o documento original acompanhado de tradução juramentada e certificação consular emitida pela embaixada ou por um consulado. A habilitação coreana em inglês não confere exceção automática. Na prática, isso significa que o ato de uma locadora entregar um carro mediante verificação de PID e passaporte não equivale, por si só, a cumprir todas as exigências locais para dirigir.
Diante das críticas, a equipe de “I Live Alone” divulgou em 25 de agosto uma posição oficial negando que a viagem tivesse sido previamente patrocinada e afirmando que não houve apoio de filmagem nem qualquer tipo de colaboração do gênero. Reforçou ainda que Jeon alugou o veículo pouco antes da partida, no aeroporto, apresentando a PID e o passaporte conforme solicitado pela locadora. Ao mesmo tempo, a produção admitiu não ter checado com precisão, de antemão, os trâmites administrativos necessários para condução no Cazaquistão e disse ter tomado conhecimento posterior da necessidade de certificação adicional.
O caso, porém, avançou para um novo impasse quando a cidade de Almaty divulgou em seu site oficial, em 21 de agosto, que as gravações foram realizadas com apoio do departamento municipal de turismo. A formulação entra em choque com a versão da MBC. Até o momento, não está claro se o “apoio” mencionado pelas autoridades locais se refere a facilitação de acesso a locações e orientações logísticas — práticas comuns em filmagens internacionais — ou a algum tipo de contrapartida econômica, como custeio de hospedagem, transporte ou outras despesas. Sem essa definição, não é possível concluir se houve patrocínio, tampouco apontar manipulação deliberada.
A discussão expõe a fronteira sensível entre “realidade” e “produção” em formatos de entretenimento. Programas que exploram o cotidiano e viagens frequentemente combinam espontaneidade com planejamento técnico — especialmente fora do país, quando licenças, segurança e logística entram em jogo. Isso, por si só, não configura falsificação. O problema emerge quando informações práticas com impacto direto no público — como requisitos legais para dirigir no exterior — são simplificadas ou transmitidas de forma imprecisa.
Para além do caso específico, a controvérsia ecoa debates globais sobre transparência em colaborações entre emissoras e órgãos de turismo e sobre a responsabilidade informativa de conteúdos que, mesmo de entretenimento, funcionam como guia para viajantes. No curto prazo, o episódio demanda esclarecimentos adicionais tanto da MBC quanto das autoridades de Almaty sobre a natureza do “apoio” e reforça a necessidade de verificação rigorosa de normas locais antes da exibição de orientações operacionais a espectadores.



